Eneva busca recursos em bolsa para quitar dívida

A geradora de energia elétrica Eneva entrou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com pedido de registro de oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias.

Pouco mais de um ano depois de sair da recuperação judicial na qual entrou a partir da ruína do império construído pelo empresário Eike Batista, a Eneva quer fazer uma reestreia na bolsa de valores. Apesar de já ser listada, a companhia passará por um novo processo de fixação do preço de suas ações.

A informação sobre o chamado "re-IPO" da Eneva foi antecipada em reportagem do Valor em 25 de julho. Na ocasião, fontes informaram que a expectativa era a de que a operação movimente até R$ 1,5 bilhão.

A companhia vai buscar com investidores recursos novos para pagar, pelo menos parcialmente, dívidas com os bancos Votorantim, Caixa e BNDES. Esses pagamentos devem somar cerca de R$ 764,5 milhões e representam 70% da oferta primária. O restante será usado para investimentos gerais da empresa.

Além disso, alguns sócios da Eneva devem aproveitar para vender suas ações. Os maiores acionistas atualmente são o BTG Pactual, com 36,4%, e o fundo Cambuhy, que conta com recursos do banqueiro Pedro Moreira Salles, com 25,7%. O grupo alemão E.On (por meio da holding Uniper), que já foi cocontrolador com Eike, tem 8,3%, e o Itaú Unibanco 7,88%.

Em fato relevante divulgado na terça-feira, a Eneva diz que a oferta contará com esforços de colocação das ações no exterior para investidores institucionais qualificados dos Estados Unidos.

No entanto, outros detalhes da oferta, como o volume de ações a ser oferecido e a faixa indicativa de preço por papel, não foram divulgados pela empresa.

Conforme a instrução CVM 400, a operação poderá ser acrescida em até 20% do total de ações inicialmente ofertadas e, além disso, poderá contar com um lote suplementar equivalente a até 15% do total de papéis inicialmente oferecidos, sem contar as ações adicionais.

A oferta de ações da Eneva tem como coordenador líder o BTG Pactual, além dos bancos Itaú BBA, Goldman Sachs, Bradesco BBI, Citi e Santander

10/08/2017

Autor: 
Victor Aguiar